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SOBRE

Sinopse

Danças Ocultas estão entre os representantes mais inovadores e mais emocionantes da música contemporânea Portuguesa. Há já alguns anos que têm vindo a progredir no universo da World Music internacional com um conceito aparentemente muito simples: calmo, lírico, íntimo, entre o tradicional e o contemporâneo, com apenas quatro acordeões diatónicos. Artur Fernandes, Filipe Ricardo, Filipe Cal e Francisco Miguel são os músicos que compõem Danças Ocultas.

O nome do quarteto surge da criação de música para a qual a dança ainda não foi inventada. A inspiração vem da música de câmara, do Nuevo Tango e de outras músicas tradicionais urbanas. “Folk impressionista” é talvez o melhor rótulo para essa música de arte intemporal: minimalismo, pinturas sonoras profundas cheias de reviravoltas inesperadas e nobre melancolia. Música muito especial – é impossível escapar ao seu magnetismo.


Bio

O acordeão diatónico — em Portugal conhecido como concertina — é um instrumento concebido na primeira metade do século XIX e progressivamente aperfeiçoado por diversos construtores europeus. Transporta consigo a memória de uma forma de habitar o tempo musical anterior ao disco e à rádio. Continua, porém, a ser uma máquina de construir sonhos e de inventar futuros possíveis.

Desde maio de 1989, Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel organizam-se em torno de um sonho singular: desenvolver as suas aptidões como intérpretes enquanto exploram caminhos que afastam o instrumento do conservadorismo folclórico, respeitando aquilo que entendem como a “vontade da concertina”, mas criando para ela uma música nova.

No início da década de 1990, o processo criativo do grupo é profundamente marcado pela colaboração com Gabriel Gomes, cuja intervenção nos arranjos e na forma musical contribui de modo decisivo para a configuração do universo estilístico dos Danças Ocultas. Este trabalho de consolidação estética conduz à produção do primeiro álbum do grupo, gravado em 1994 e editado pela EMI-VC em 1996. O disco homónimo, Danças Ocultas (1996), afirma o quarteto e fixa os princípios fundadores da sua identidade musical.

Veio depois um tempo aventuroso, menos ingénuo e com mais engenho, resultante do convívio alargado, das progressões em palco, das primeiras viagens e colaborações, transformando o grupo num núcleo de criatividade distribuída, que dá origem ao segundo álbum, Ar (1998). Neste trabalho afirmam-se os princípios de uma gramática musical própria e surgem inovações técnicas relevantes, como a invenção e construção da concertina-baixo. Gabriel Gomes assume igualmente a produção deste álbum, bem como a de Pulsar (2004), acompanhando a afirmação e o amadurecimento da linguagem do quarteto.

No final da década de 1990, o grupo inicia a sua carreira internacional, com concertos em Espanha, Marrocos e França, culminando na edição internacional da coletânea Travessa da Espera (2001). A partir daí, os Danças Ocultas aprofundam a experimentação entre essa gramática musical e uma visão assumidamente universalista e transcultural da criação contemporânea. Jogos de som, ritmo e harmonia produzem sentido em diálogo com a estética contemporânea, num percurso que inclui colaborações regulares com as artes cénicas, nomeadamente com coreografias de Paulo Ribeiro para a sua Companhia e para o Ballet Gulbenkian, e que se materializa no álbum Pulsar (2004).

Em 2009 é editado Tarab, termo árabe que designa o estado de elevação, celebração e comunhão espiritual — um êxtase — atingido simultaneamente pelo intérprete e pelo ouvinte durante um ato musical plenamente conseguido, conceito que se assume como horizonte estético do grupo.

A seleção oficial para a WOMEX 2010, encerrada com um concerto no Koncerthuset de Copenhaga, marca um ponto de viragem na projeção internacional dos Danças Ocultas. Em 2011 é editada a coletânea Alento, que reúne temas dos quatro primeiros álbuns e serve de base a uma extensa digressão por 20 países de três continentes, com atuações em salas de referência como a Filarmonia de Berlim, Opéra National de Lorraine (Nancy), Konzerthaus de Viena, Real Coliseo Carlos III (El Escorial), Palazzo Ducale (Génova), Palace of Arts (Budapeste), Philharmonie do Luxemburgo, National Chiang Kai-Shek Cultural Center (Taipé), Oriental Arts Centre (Xangai), Kennedy Center (Washington, DC) e Théâtre Outremont (Montreal).

O grupo continua a expandir o seu universo estético através de colaborações diversas, explorando outras lógicas de escrita e de produção sonora. Desse período resultam o EP Arco (2015), com Dom La Nena; o álbum ao vivo Amplitude(2016), gravado com a Orquestra Filarmonia das Beiras, Carminho, Rodrigo Leão e Dead Combo, a partir de concertos no Centro Cultural de Belém e na Casa da Música; e Dentro Desse Mar (2018), gravado no Rio de Janeiro com produção, arranjos e violoncelo de Jaques Morelenbaum, e com participações de Carminho, Zélia Duncan, Dora Morelenbaum e Arnaldo Antunes.Em 2025, os Danças Ocultas operam uma viragem estratégica com Inspirar. Este álbum de originais surge como reação e reposicionamento face ao ciclo colaborativo anterior, recentrando a identidade do quarteto e reforçando a cumplicidade musical numa escrita autoral depurada, baseada na criação de tempo, luz e respiração, onde a concertina volta a ocupar, de forma essencial, o centro do discurso artístico.