Danças Ocultas

O acordeão diatónico – em Portugal conhecido por concertina – é um instrumento concebido na primeira metade do século XIX, e depois aperfeiçoado por diversos construtores europeus, que hoje ecoa memórias de uma outra vivência do espaço musical: um tempo anterior ao disco, à rádio. Continua, porém, a ser uma máquina de construir sonhos; e, por conseguinte, de inventar futuros possíveis, de fazer sentidos.

Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel começaram por organizar-se em torno de um sonho: o de desenvolverem as aptidões da execução enquanto investigavam as possibilidades de afastar o instrumento do folclore tradicional, acatando o que então era entendido como a “vontade da concertina”, mas fazendo para ela uma música nova. Foram os tempos que conduziram a um nome para o quarteto e para o seu primeiro disco, Danças Ocultas, com um repertório onde predominavam as composições de Artur Fernandes.

Veio depois um tempo aventuroso, menos ingénuo e com mais engenho, que resultou do convívio alargado, das progressões em palco, das primeiras viagens e colaborações, motivando a transformação do grupo em núcleo de criatividade distribuída e a publicação de um segundo disco, chamado Ar – onde afirmaram os princípios de uma gramática musical própria e a introdução de algumas inovações técnicas como a construção de uma concertina-baixo.

E, desde então, vêm experimentando as ligações entre essa gramática e uma visão assumidamente mais universalista e transcultural do fenómeno musical e da cultura contemporânea. Aí se inscrevem, por exemplo, as suas diversas colaborações com as artes cénicas – designadamente em coreografias de Paulo Ribeiro, para as quais compuseram material original – bem como o repertório que integra o seu terceiro disco, Pulsar. Jogos de som, de ritmo e de harmonia, entre o passado e o futuro: ou seja, produzindo sentido, em diálogo com a estética contemporânea.

Jorge P. Pires


1 Resposta to “- Português”


  1. 1 Filipe Vilela
    22/02/2010 às 6:39 am

    Olá meus amigos. Longe vão os tempos dos Concertos no “Sal Poente”, onde vos conheci através do TóZé Rosa(Fermentelos) onde eu ia fazer umas festas.Continuem o vosso bom trabalho e fica a pergunta: para quando umas experiências com instrumentos de sopro? Eu como executante de Trombone gostava que o fizessem e quen usassem metais.Abraço Filipe Vilela(Odivelas)


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